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O Tio Pepe
A afilhada fitou com curiosidade o seu rosto pensativo. Aqueles olhinhos ingénuos de 4 anos iriam lembrar-se dele quando fossem grandes? Pepe comoveu-se e chorou de alegria a olhar para ela. Como não sabia rezar, comprava assim a eternidade. Sexta-feira, 9 de dezembro de 1960. São mais uns anos da Joaninha. O tempo passa rápido nesta nossa idade. Pepe conseguira deixar o consultório no Chiado mais cedo, ainda passou na Benard a avisar os amigos. Foi buscar o fiel carocha
Paulo de Lencastre
Aug 4, 202413 min read


O Castanheiro do Fojo
Talvez daqui a 100 anos, quando já não crescerem mais ramos verdes nos meus braços na primavera, eu peça a quem cá more para serrar o meu tronco, fazer de mim aqui uma grande fogueira, e deixar que o vento leve algumas das minhas cinzas até ao Mar. Nasci há quase 500 anos. Menino selvagem no meio dos campos, num prado imenso sem casas próximas. Tinha vários irmãos à volta, e bichos com quem brincávamos. Abanávamos ao vento os ninhos, os gatos vergavam-nos os ramos, os pard
Paulo de Lencastre
Jul 14, 20245 min read


Fado Clandestino
De algum encontro resultou uma amizade improvável, que Eva alimentou com telefonemas e cartas, e que Amália aceitou com carinho porque a vida sombria de Eva teria sido o seu mais provável destino. Há cem anos nascia Amália, a rainha do Fado. Toda a gente sabe o seu nome – Amália Rodrigues, ou simplesmente Amália como o mundo a conhecia. Estou a escrever estas linhas porque li hoje um artigo na revista do Expresso – o semanário que informa Portugal ao fim de semana – dedicado
Nuno de Lencastre
Jun 29, 20244 min read


Jantar na Arcádia
Terminado o dia de trabalho, deixava para trás o austero edifício da Rua de Sá da Bandeira e fazia com prazer a desordenada Rua de Sampaio Bruno, saboreando o seu fervelho de vendedores de sonhos. O Tio Jorge marcou encontro comigo na Arcádia às seis da tarde. Era um hábito que se intensificara com os meus recém 18 anos encartados e a crise do petróleo de 1973. O Tio Jorge entregava-me o seu Audi coupé de manhã, eu levava-o ao banco, deambulava pela cidade à procura de uma bo
Paulo de Lencastre
Jun 1, 20244 min read
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